Economia

Recuperações judiciais avançam entre micro e pequenas empresas

As recuperações judiciais avançaram entre empresas de menor porte nos últimos três anos. Entre o primeiro trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2026, o índice cresceu 133% entre as microempresas e 69% entre as pequenas, segundo dados do Monitor RGF BizDoc obtidos com pelo Valor Econômico. 

A recuperação judicial permite que uma empresa em dificuldade renegocie suas dívidas sob supervisão da Justiça, enquanto mantém suas atividades. O objetivo é evitar a falência e preservar a operação e os empregos. 

Entre as microempresas, o índice passou de 0,03 para 0,07 caso a cada mil negócios. Nas pequenas, subiu de 0,52 para 0,87. Entre as médias empresas, o avanço foi de 31%, de 1,01 para 1,32 recuperação a cada mil.

O movimento foi contrário entre as companhias maiores. O índice caiu 13% entre as grandes empresas e 16% entre as muito grandes. Apesar do recuo, esses grupos ainda apresentam uma proporção de recuperações judiciais superior à observada nos negócios menores. 

O levantamento atribui parte da mudança à migração de grandes companhias para negociações extrajudiciais. Nesse modelo, a empresa busca um acordo com seus credores fora de um processo tradicional de recuperação judicial, geralmente com menos custos e maior rapidez. 

Comércio lidera em número de casos
 
O comércio concentrava 1.649 empresas em recuperação judicial ao fim do segundo trimestre, o maior número entre os setores analisados. A indústria aparecia em seguida, com 1.455, e o agronegócio, com 1.263. 

O total de companhias em recuperação atingiu 6.513 em maio, o maior patamar da série. Em junho, houve uma redução de 172 empresas, a primeira queda relevante registrada pelo monitoramento. O movimento isolado, porém, ainda não permite identificar uma tendência de desaceleração. 

Os processos também têm se prolongado. O tempo médio de permanência das empresas que não caminham para a falência é de 4,2 anos.

Entre as companhias que já estavam em recuperação judicial no início de 2023, 65% continuavam no processo. Outras 26% haviam retomado as operações sem supervisão judicial, enquanto 3,2% terminaram em falência ou tiveram o CNPJ encerrado.

https://veja.abril.com.br/economia/recuperacoes-judiciais-avancam-entre-micro-e-pequenas-empresas/