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Setores cíclicos possuem maior demanda por crédito via FIDCs; veja quais são

A indústria, a construção e a logística foram os setores que mais buscaram crédito por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) nos nove primeiros meses de 2026. Juntas, essas atividades responderam por 51,1% das empresas que passaram pela análise de crédito desses fundos no período, de acordo com a primeira edição do Radar de Demanda por Crédito Estruturado, da Assertiva.

Somados ao comércio, aos serviços financeiros e ao setor imobiliário, os dois grandes grupos concentraram 87,1% das empresas analisadas. O levantamento examinou 4.045 consultas feitas por 36 FIDCs entre janeiro e setembro de 2026, envolvendo 3.543 empresas distintas.

"O objetivo do Radar é enxergar um movimento que acontece antes da concessão do crédito. Nesta primeira edição, o que chama atenção é justamente a presença muito forte dos setores produtivos", afirmou Hederson Albertini, CEO da Assertiva.

Quais setores mais aparecem

Quando o estudo compara as empresas analisadas com o total existente em cada atividade, alguns segmentos industriais ganham peso. A relação, medida por empresa consultada a cada 100 mil existentes, ficou assim:
 
  • Bebidas: 816,8
  • Máquinas e equipamentos: 434,3
  • Têxtil, vestuário e calçados: 111,6
  • Metalurgia e siderurgia: 97
Esse indicador permite comparar a intensidade com que cada setor aparece nas análises dos fundos, sem que o tamanho da população de empresas distorça a leitura. Ele não significa que essas companhias contrataram crédito, nem que tenham maior chance de obter financiamento.

Já em número absoluto de empresas analisadas, a lista é liderada pelo comércio:
 
  • Comércio varejista: 640
  • Comércio atacadista: 347
  • Confecção e vestuário: 328
  • Fabricação de produtos de metal: 242
  • Comércio e reparação de veículos: 148
  • Couro e calçados: 124

Por que a indústria é quem mais recorre aos fundos?

O perfil está ligado às características financeiras desses setores, marcados por ciclos de produção e prazos de pagamento que geram descompassos de caixa. "Uma indústria pode comprar matéria-prima hoje, produzir durante semanas e vender para um grande cliente que paga em 60 ou 90 dias. Durante esse intervalo existem salários, fornecedores, energia, impostos e outras despesas que precisam ser pagas", explicou Rafael Nakamoto, CEO da Vitório, fintech de crédito estruturado para a indústria

É nesse intervalo que estruturas baseadas em recebíveis funcionam como alternativa ou complemento às linhas tradicionais de crédito. Em operações de "supply chain finance" (o financiamento da cadeia de fornecedores), o crédito é estruturado a partir dos recebíveis gerados nas relações comerciais e do risco dos diferentes participantes da cadeia.

Para Nakamoto, os números mostram que os FIDCs vêm ocupando um espaço que vai além do financiamento de empresas com dificuldade de acesso a bancos. "Na prática, o crédito estruturado está cada vez mais conectado ao dia a dia da economia real", afirmou.

Como o estudo foi feito

O Radar descreve o comportamento dos 36 fundos observados; ou seja, não representa estatisticamente toda a indústria de FIDCs do país. Cada consulta indica que uma empresa foi objeto de análise por um fundo, mas não comprova solicitação, aprovação ou contratação de crédito. O estudo considerou localização, atividade econômica, porte, tempo de existência, faturamento presumido, número de funcionários e indicadores de restrição.

https://valorinveste.globo.com/google/amp/credito-privado/noticia/2026/09/22/setores-ciclicos-possuem-maior-demanda-por-credito-via-fidcs-veja-quais-sao.ghtml